segunda-feira, 4 de abril de 2011

O Brasil e os Samurais



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Tom Cruise esteve nos cinemas como veterano de guerra que vai para o Japão e lá aprende mais do que a cultura e a forma de guerrear dos japoneses. Mas por favor, não alugue este filme para ver isso; tente, ao invés, entender o que é o bushidô, o caminho ético e espiritual do samurai. É o bushidô que torna "O Último Samurai" um filme necessário para os dias de hoje.
O bushidô pode ser entendido como um conjunto de leis não escritas que orientava a vida e a conduta dos antigos guerreiros japoneses, os samurais. Conforme alguns escritos,  "o samurai cultiva as virtudes marciais, demonstra absoluta indiferença frente à morte e à dor, na sua dedicação e lealdade ao senhor feudal, o shogun ou o próprio imperador".
Samurai deriva do verbo samuru, que significa servir e proteger, mas suas virtudes vão muito além disso. São sete virtudes ao todo, simbolizadas pelas dobras do hakama, a vestimenta típica do samurai, também utilizada na pratica de algumas Artes Marciais e esportes baseados nas mesmas, coragem, benevolência, retidão, cortesia, sinceridade, lealdade e honra. Esse conjunto de virtudes possui três fontes fundamentais, sem as quais a arte dos samurais teria sido tão-somente uma arte de guerrear: o budismo, o shintoísmo e o confucionismo. O budismo, através do Zen, ofereceu serenidade e meditação aos samurais, alem da superação da morte. O shintoísmo, religião mais antiga do Japão, ensinou a lealdade, a reverência e a honra. O confucionismo conferiu ao bushidô seus princípios éticos, como a benevolência, a cortesia e a sinceridade. Contrariar uma dessas virtudes constituiria vergonha insuportável para o samurai, que, numa situação dessas, não teria alternativa senão suicidar-se pelo ritual do seppuku (erroneamente também conhecido como harakiri, literalmente “cortar barriga”).
As técnicas aprendidas pelos samurais teriam pouca utilidade hoje em dia. Durante a Era Meiji, o papel do samurai perde importância militar, na medida em que a tecnologia tornou obsoleto o uso da katana (espada japonesa). Mas o bushidô permaneceu como base de todas as artes marciais praticadas hoje em dia e também como código ético e moral para a vida. Por isso, o samurai permanece como exemplo a ser seguido e respeitado. Como diz o provérbio japonês: “O samurai é o primeiro a sofrer angústia pela sociedade humana e o último a procurar prazer pessoal”.
É fácil perceber quando um lugar não tem samurais. As ações acontecem em função de conveniências, desprezam-se a honra e a sinceridade, a lealdade simplesmente inexiste e a bondade torna-se cada vez mais rara. Na classe política brasileira, está repleto de exemplos que fariam qualquer samurai morrer de vergonha.
As virtudes do samurai são comuns em praticantes de Artes Marciais e esportes baseados nas mesmas, que têm o bushidô como pedra fundamental.
Entre políticos, são virtudes ignoradas pelos motivos mais banais e egoístas. Seria bom se o Brasil tivesse samurais como líderes do povo: sujeitos severos, justos e honrados, modelos de lealdade e retidão. Capazes, inclusive, de praticar o seppuku (ritual suicida) caso ignorassem uma dessas virtudes...  Mas, nos dias de hoje a única certeza que teríamos, é que as funerárias lucrariam muito !!!

Um comentário:

  1. Parabéns pela iniciativa professor!
    As verdades devem ser expostas!
    É uma pena que nem todos leiam e/ou pratiquem essas "ideologias"...
    Abraço!

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